No silêncio, desligamos nossa alma dos “sons”, sejam eles ruídos, cânticos ou palavras. O silêncio total é raro, e o que chamamos de “quieto” significa geralmente um pouco menos de barulho. Muitas pessoas jamais experimentaram o silêncio, nem se dão conta de que não sabem sequer o que ele significa. Nossos lares e locais de trabalho estão repletos de zumbidos, apitos, murmúrios, tagarelices e sonidos dos vários dispositivos supostamente idealizados para tornar a vida mais fácil. Tal barulho nos conforta de uma forma curiosa. De fato, achamos o silêncio total chocante. Ele deixa a impressão de que nada está acontecendo. Num mundo frenético como o nosso, nada poderia ser pior do que isso!
O silêncio vai além da solitude, e sem ele a solitude tem pouco efeito. Henri Nouwen observa que “o silêncio é a forma de tornar a solitude uma realidade”. Entretanto, o silêncio é assustador porque ele nos desnuda como nenhuma outra coisa, confrontando-nos com a realidade crua de nossa vida. Ele nos lembra a morte, a qual nos cortará deste mundo, deixando apenas nós e Deus. E o que implica “apenas nós e Deus”? Pense o que podemos descobrir sobre o vazio interior de nossa vida se temos sempre de ligar o rádio para ter certeza de que algo está acontecendo à nossa volta…
